Coco é reza, corpo é raiz: saberes ancestrais na formação docente. Esse é o título de curso de extensão ofertado pelo Campus Jacobina do IFBA através do Programa Nego Bispo, que visa à valorização e integração dos saberes tradicionais na formação de estudantes de licenciatura e profissionais da Educação Básica, de modo a garantir o pluralismo de ideias, concepções pedagógicas e epistemológicas, fomentando o protagonismo dos sujeitos e de suas trajetórias.
Coordenado pela professora Carla Côrte, mestra em história social, o projeto conta com a participação de outras mulheres da comunidade: Aurivove Ferreira (multiartista), que atuará como mestra do saber e estará assessorada pela profa. dra. Cláudia Vasconcelos (Uneb); Jailza Gomes (estudante da Licenciatura em Computação do IFBA) e Milena Carvalho (comunicóloga e educadora popular), ambas como assistentes da coordenação.
Estão sendo ofertadas 25 vagas. O formulário para envio da carta de intenção estará disponível até o dia 16 de dezembro. Os/as cursistas serão contemplados/as com três parcelas de uma bolsa no valor de R$ 200 (duzentos reais).
A formação inclui certificação e consiste em 60 horas-aula, sendo 50% de forma remota, por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (Ava). O começo das aulas está previsto para janeiro de 2026.
Fique por Dentro
"A partir da musicalidade e dança do coco, manifestação tradicional da cultura afro-indígena-brasileira enraizada nas comunidades do Nordeste, a proposta resgata a movimentação dos corpos, em especial dos corpos femininos, como expressão de potência criadora e ancestral. Ao dançar e cantar, produz-se conexão com a sua própria história e existência, rompendo com os séculos de silenciamento e dominação que incidiram sobre os corpos femininos, em especial os corpos negros e indígenas, historicamente controlados pela ciência, pela religião e pelo Estado. Entendemos a música e a dança como dispositivos pedagógicos e formativos, capazes de promover o autoconhecimento, o fortalecimento das identidades e a valorização dos saberes tradicionais. Por meio dos gestos, das batidas e dos cantos do coco, nosso curso convida à vivência de uma pedagogia do corpo, da voz e da ancestralidade, reconhecendo nas artes e nos ofícios tradicionais caminhos para a construção de novas formas de aprender, ensinar e existir. Será um reencontro com os saberes corporais, compreendidos como território de memória, cura e resistência", destaca trecho do projeto.
Por Verusa Pinho — IFBA Jacobina

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