Consolidadas pela Lei 14.790/2023, as apostas esportivas tornaram-se parte do cotidiano financeiro do Brasil. Em março de 2026, as 187 plataformas autorizadas movimentaram R$ 2,73 bilhões, um reflexo da maturação do setor. No entanto, o que deveria ser entretenimento tem se tornado uma armadilha para o planejamento familiar, com muitos usuários substituindo o lazer tradicional e até a poupança pelas apostas digitais.

Perigo do "dinheiro extra"

A grande armadilha, segundo educadores financeiros, é o chamado "viés da disponibilidade". O apostador foca nos ganhos eventuais e ignora o acumulado de perdas. "A dor de perder leva o jogador a continuar apostando para recuperar o que foi perdido, criando um ciclo vicioso", alerta o educador financeiro Zaqueu Fonseca.

O perfil do apostador em 2026 revela que a prática é majoritária entre homens (68,3%), com destaque para a faixa etária de 31 a 40 anos. Muitos, movidos pela paixão pelo esporte, acabam comprometendo valores que seriam destinados a itens essenciais como vestuário e alimentação.

Ambiente digital e impulsividade

Para a educadora Carol Stange, a facilidade do ambiente digital é um agravante. "Diferente do dinheiro físico, o digital favorece a perda de referência sobre o gasto. A conveniência com o estímulo constante das notificações aumenta o risco de excesso", explica.

Dicas para manter o controle:

  • Caixinha do lazer: o dinheiro para apostar deve vir apenas da verba destinada à diversão, nunca do essencial (aluguel, comida, contas).
  • Limite de perda: defina um valor máximo por mês e, ao atingi-lo, pare imediatamente.
  • Sem pressão: nunca utilize crédito ou dinheiro reservado para emergências para apostar.
Homens são os que mais apostam

Atualmente, segundo a Aposta Legal Brasil, o perfil do apostador é predominantemente masculino: homens representam 68,3% dos acessos, enquanto as mulheres somam 31,7%. Em relação à idade, a maior concentração está entre 31 e 40 anos, com 28,6%, seguida pelas faixas de 18 a 24 anos e de 25 a 30 anos, ambas com 22,7%. Entre esses usuários está o operador de telemarketing Gabriel Oliveira, que explica ter começado a apostar influenciado pela paixão pelo futebol: “Você tem que pelo menos fazer uma aposta ali para acompanhar o jogo mais vidrado”.

Assim como Gabriel, o estudante Pedro Peixoto aposta semanalmente. Para ele, a principal motivação é a possibilidade de obter um dinheiro extra: “Eu aposto apenas quantias simbólicas, um dinheiro que sobra. Às vezes dá certo e consigo transformar isso em algum resultado financeiro”.

Contudo, tratar apostas como renda gera o "viés da disponibilidade", onde o apostador foca nos ganhos eventuais e ignora as perdas acumuladas, segundo o educador financeiro Zaqueu Fonseca.

“As apostas ativam não apenas o viés de disponibilidade, mas também a aversão à perda, em que a dor de perder leva o jogador a continuar apostando para recuperar o que foi perdido, criando um ciclo vicioso”, ressalta Zaqueu.

A Tarde