A guerra no Oriente Médio apareceu na Bahia como um efeito dominó; afinal, não tinha como não ser afetado pela instabilidade geopolítica, bélica e econômica iniciada por potências mundiais como o Irã, os Estados Unidos e Israel.
O Portal A TARDE já publicou uma série de reportagens mostrando os impactos que a guerra no Oriente Médio tem tido no país e no estado baiano, desde fevereiro deste ano.
A crise geopolítica que se estendeu com ataques bélicos em estações de produção de petróleo e gás natural e até pelo fechamento do Estreito de Ormuz chegou ao Brasil através principalmente de aumentos nos combustíveis nos postos em todo o mundo e no efeito inflacionário de alimentos, produtos e serviços no país.
Na Bahia, além do aumento drástico dos combustíveis, que chegou a atingir R$ 7,20 em um único dia, os preços dos alimentos também foram fortemente atingidos pela instabilidade mundial.
Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial da inflação, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 1,47% na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e foi fortemente puxada para cima pelos preços dos transportes e alimentos, sobretudo a gasolina e produtos consumidos em casa, como o tomate.
Quais foram os efeitos da guerra na Bahia
Dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), apontam que um dos principais impactos na economia foi a queda na exportação de produtos baianos, que chegou a 20% em março deste ano, em comparação ao mesmo mês em 2025.
Segundo a análise, divulgada no início de abril, os setores que foram mais impactados com o cenário global foram:
- Agropecuária (0,7%);
- Indústria extrativa (-49,3%);
- Indústria de transformação (-40,3%).
Entre os produtos baianos que sofreram retração nas exportações estão:
- Derivados de petróleo
- Soja
- Celulose
No caso dos derivados do petróleo, a queda foi de -84,6%, que foi causada pela imposição de imposto de exportação para alguns itens pelo governo. A medida busca mitigar os efeitos econômicos da recente escalada do preço internacional do petróleo e da sua alta volatilidade.
Questionada sobre os impactos nas cadeia baiana pela alta do preço dos combustíveis, através da retração das exportações baianas, a SEI disse que ainda não há informações suficientes para avaliar os impactos para o setor de derivados de petróleo.
“Parte da retração observada nas exportações está relacionada à desaceleração do comércio global, intensificada pelas incertezas e pelos desdobramentos do conflito”, explica Arthur Souza Cruz, economista da SEI.
Inflação e risco de desabastecimento de combustíveis
Ainda de acordo com o IBGE, as despesas com transporte foram as que mais aumentaram no mês (4,79%), registrando a maior alta em pouco mais de 20 anos, desde outubro de 2005 (5,93%).
Os combustíveis subiram 17,26%, puxados pela gasolina (17,37%), que teve o maior aumento em 30 anos, desde abril de 1996 (19,37%), e foi o item que, individualmente, mais contribuiu para a elevação do custo de vida na RM Salvador.
O diesel aumentou ainda mais que a gasolina (23,83%), registrando o maior IPCA desde que começou a ser pesquisado na RMS, em 2012, e exerceu a 3ª maior contribuição individual de alta na inflação de março. Mesmo com uma contribuição menor, o etanol também teve aumento relevante (10,14%).
Especialistas ouvidas pelo Portal A TARDE apontam que apesar de o Brasil despontar como um grande produtor de petróleo, especialmente na margem do pré-sal, e também na produção relevante de derivados, um cenário marcado por desabastecimento dos combustíveis no Brasil, diante de fechamento do Estreito de Ormuz, apesar de ter risco baixo, não é descartável.
A Tarde

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