A recente missão Artemis II chamou a atenção para a exploração espacial, mas essa busca nunca esteve parada. Todos os anos são gastos milhões de dólares em pesquisas, e as mais recentes apontaram indícios de sobrevivência biológica em Marte.

Estudo recente publicado na revista PNAS Nexus avaliou a capacidade de células sobreviverem no terreno marciano. Os principais pontos de análise foram a tolerância aos sais tóxicos do solo e às ondas de choque geradas por meteoritos.


Como foi o estudo?

Para avaliar o desempenho da vida em Marte, foram utilizadas leveduras Saccharomyces cerevisiae. Esses microrganismos foram submetidos a ambientes controlados que simulam esses fatores marcianos.

Primeiramente, para simular os impactos de meteoros, as células foram expostas a ondas de choque de 5,6 Mach, velocidade muito superior à do som. Também foram colocadas em contato com perclorato de sódio em concentração parecida com a de Marte.

Mesmo sob essas condições, as leveduras sobreviveram. O crescimento ficou mais lento, elas apresentaram sinais de desgaste, mas resistiram. Nessas condições extremas, demonstraram um mecanismo de sobrevivência inesperado.

Rota de fuga

As células formaram pequenos grupamentos de proteínas conhecidos como ribonucleoproteínas (RNP). O nome é difícil, mas a função pode ser resumida de forma simples: elas ajudam a organizar a resposta da célula quando algo a ameaça.

Quando estressadas, as células reorganizaram seu próprio conteúdo interno em pequenos bunkers, os RNP. No estudo, os pesquisadores observaram dois tipos principais dessas estruturas: os P-bodies e os grânulos de estresse.

As ondas de choque, parecidas com as geradas por impactos de meteoritos em Marte, ativaram os dois. Já o perclorato de sódio, sal tóxico presente no solo marciano, ativou apenas os P-bodies.

Pesquisa complementar

Outra pesquisa, publicada na revista npj Microgravity, também fez testes nesse sentido. O trabalho analisou um fungo negro chamado Rhinocladiella similis em condições com perclorato de magnésio e radiação UV-C (a mais intensa radição solar).

Esse tipo de sal é relevante porque os percloratos de Marte podem aparecer ligados a elementos como magnésio. Segundo os pesquisadores, o fungo mostrou resistência maior que a de outros modelos usados em estudos de ambientes marcianos.

Em um dos testes, Rhinocladiella similis manteve cerca de 80% de sobrevivência mesmo sob dose alta de UV-C combinada com perclorato. O resultado também sugere que formas de vida terrestres têm recursos inesperados contra ambientes extremos.

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