A construção da Ponte Salvador–Itaparica voltou a levantar uma dúvida que impacta diretamente milhares de baianos: afinal, o sistema ferry-boat vai ser desativado?
O futuro do ferry-boat na Bahia está longe de uma definição simples. Apesar de declarações passadas indicarem o fim do sistema após a construção da Ponte Salvador–Itaparica, o portal A TARDE apurou que o cenário atual é mais cauteloso e ainda aberto a mudanças.
O ferry-boat vai parar de funcionar?
Apesar do discurso adotado no passado, o entendimento dentro da atual gestão estadual não é definitivo — e o fim do ferry-boat já não é tratado como um caminho automático.
Segundo apurado pelo portal A TARDE, o governo da Bahia não trabalha, neste momento, com a desativação do sistema.
A avaliação é de que qualquer decisão nesse sentido dependerá de um cenário concreto após a entrega da Ponte Salvador–Itaparica.
Nos bastidores, a leitura é de que o sistema ferry-boat só deixaria de operar caso a ponte provoque um impacto econômico significativo na demanda da travessia. Ainda assim, o eventual encerramento não seria unilateral: dependeria de um acordo entre a concessionária responsável pelo serviço e a Agerba.
Na prática, isso reposiciona o debate: em vez de uma decisão já tomada, o futuro do ferry passa a ser condicionado ao comportamento do próprio usuário após a inauguração da ponte.
O que vai mudar quem pega o ferry todos os dias?
A incerteza sobre o futuro do ferry também levanta outra questão central: como ficará a rotina de quem depende da travessia diariamente?
Com a Ponte Salvador–Itaparica, a mobilidade deve passar por uma transformação significativa. A estrutura será voltada para veículos e transporte coletivo, mas não permitirá circulação de pedestres nem de bicicletas, por questões técnicas e de segurança.
O transporte por ônibus será permitido, e, segundo apuração do portal A TARDE, existe a intenção de criar uma linha de transporte intermunicipal para atender diretamente esse público que hoje utiliza o ferry no dia a dia.
Outro ponto que já está definido é a cobrança de pedágio. Estão previstas duas praças na Ilha de Itaparica:
- R$ 45 na chegada em Mar Grande
- R$ 5 na região da Ponte do Funil
Para quem fizer ida e volta em até 24 horas, o valor total será de R$ 50.
Os preços, no entanto, foram estabelecidos no contrato de parceria público-privada e serão reajustados pelo IPCA até a inauguração e ao longo da concessão, ou seja, valores corrigidos pela inflação entre 2019 e 2031.
Ponte Salvador-Itaparica: prazos, estrutura e impactos
A Ponte Salvador–Itaparica tem início de obras previsto para junho de 2026 e entrega estimada para junho de 2031.
Com 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, a ponte será a maior da América Latina nesse modelo. A ligação será feita entre a região do Terminal de São Joaquim, em Salvador, e o município de Vera Cruz.
O projeto inclui ainda acessos viários na capital, uma nova rodovia na ilha e a duplicação de trechos da BA-001, além de túneis e viadutos para integração com a malha urbana.
A expectativa do governo é de geração de cerca de sete mil empregos diretos e impacto em aproximadamente 10 milhões de pessoas em mais de 250 municípios.
Novo ferry chega para reforçar o sistema
Mesmo com a construção da ponte, o sistema ferry-boat continua sendo reforçado.
O Governo da Bahia concluiu na última semana a licitação para a compra de uma nova embarcação, que será a maior em operação. O ferry terá capacidade para 1.254 passageiros e 168 veículos, ampliando a capacidade atual da travessia.
A empresa responsável será a Happyfrontier – Importação e Exportação Lda. Após a assinatura do contrato, haverá um prazo de até 60 dias para adequações, seguido de vistoria que pode ocorrer em até 180 dias.
A previsão é que a embarcação chegue entre 7 e 9 meses após a formalização, com expectativa de reduzir filas e melhorar o atendimento, principalmente em períodos de maior movimento.
Previsão de ex-governador
Durante a assinatura do contrato para o início das obras da ponte, o ainda governador da Bahia, Rui Costa, questionou diretamente a continuidade do ferry diante da nova estrutura.
O argumento central era simples: com uma travessia mais rápida e direta por via terrestre, o modelo atual perderia competitividade.
Segundo Rui, a tendência natural seria o esvaziamento do sistema, já que o usuário dificilmente optaria por enfrentar filas podendo cruzar a Baía de Todos-os-Santos em poucos minutos.
"Quem vai querer pegar o ferry tendo a ponte? Ninguém. Hoje você espera uma, duas, até quatro horas para fazer a travessia. Tendo a ponte, que vai fazer a travessia em 15 a 20 minutos, quem vai ficar pegando ferry?", questionou.
Além disso, o ex-governador reforçou que o ferry só faria sentido até a entrega da ponte — momento em que deixaria de ser funcional do ponto de vista econômico e operacional. A leitura, naquele momento, era de que o ferry funcionaria apenas até a entrega da obra.
A Tarde

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