A aprovação do novo piso nacional dos professores pelo Senado reacendeu uma antiga disputa em Brasília. A criação e atualização de salários mínimos para categorias profissionais em todo o país. Com o reajuste dos educadores já encaminhado e à espera de sanção presidencial, mais de 150 profissões acompanham projetos que podem redefinir remunerações em diferentes setores da economia.

O impasse sobre quem vai pagar a conta dos novos salários

A movimentação ganhou força no Congresso Nacional e coloca em lados opostos entidades sindicais, que defendem a valorização profissional, e gestores públicos preocupados com o impacto fiscal das medidas.

O debate envolve médicos, cirurgiões-dentistas, profissionais da limpeza urbana e trabalhadores de outros setores que aguardam há anos por uma atualização salarial em âmbito nacional.

Médicos e dentistas aguardam votação de propostas

Entre as propostas mais avançadas está o Projeto de Lei nº 1.365/2022, que estabelece um piso nacional para médicos e cirurgiões-dentistas.

O texto já passou pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado e aguarda análise da Câmara dos Deputados. A proposta fixa remuneração mínima de R$ 13.662 para jornadas de 20 horas semanais, além de prever reajuste anual pela inflação, intervalo obrigatório durante a jornada e adicional para horas extras e plantões noturnos.

Entidades da categoria argumentam que a atualização busca corrigir uma defasagem histórica. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a legislação que serve de referência para o piso atual não recebe atualizações desde 1960.

Garis e profissionais da limpeza também lutam por piso fixo

Outra categoria que acompanha de perto as discussões é a dos garis e trabalhadores da limpeza urbana.

O Projeto de Lei nº 4.146/2020 já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e prevê piso equivalente a dois salários mínimos para jornadas de 40 horas semanais. Atualmente, o valor corresponderia a R$ 3.036.

A proposta também define pagamento de adicional de insalubridade em grau máximo e regras específicas para aposentadoria especial.

Segundo dados da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) a atividade apresenta elevado índice de acidentes de trabalho e ajudaria a reduzir a diferença salarial observada entre grandes centros urbanos e municípios menores, onde muitos trabalhadores recebem remunerações próximas ao salário mínimo.

O dilema entre reconhecer o trabalhador e estourar o orçamento

O avanço das propostas reacendeu discussões sobre o equilíbrio entre valorização salarial e capacidade financeira dos entes públicos.

Na educação, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) defende que a atualização do piso representa o cumprimento da política nacional de valorização do magistério.

Já entidades médicas, como a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), argumentam que a criação de uma remuneração mínima nacional ajudaria a definir parâmetros mais uniformes para contratação e remuneração.

Por outro lado, governos estaduais e municipais acompanham as discussões com cautela devido ao potencial aumento de despesas. Em algumas áreas, o governo federal avalia mecanismos de apoio financeiro para auxiliar estados e municípios no cumprimento de futuras obrigações salariais.

O caminho que as propostas precisam seguir para virar lei

Enquanto os servidores públicos federais do Executivo já contam com reajustes garantidos pela Lei nº 15.141/2025, os projetos que envolvem profissionais da saúde e da limpeza urbana ainda precisam percorrer etapas importantes no Congresso.

As propostas dependem da aprovação nas comissões temáticas e nos plenários da Câmara e do Senado antes de seguirem para sanção presidencial.

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