O preço da gasolina poderá cair cerca de R$ 0,03 por litro com o aumento temporário da mistura obrigatória de etanol anidro no combustível. A estimativa foi apresentada nesta terça-feira (14) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após a aprovação da medida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Segundo o ministro, além do impacto no bolso do consumidor, a mudança fortalece a segurança energética do país ao reduzir a necessidade de importar gasolina.

"Vai baratear em 3 centavos, mas, principalmente, diminuir a nossa dependência de importação de gasolina", afirmou Alexandre Silveira durante coletiva de imprensa.

A resolução do CNPE eleva, por 180 dias, o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina comercializada no Brasil, passando de 30% para 32%. A medida havia sido anunciada pelo governo em abril, mas dependia da aprovação do colegiado, formado por representantes de 17 ministérios.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a vigência poderá ser prorrogada uma única vez, por mais 180 dias.

Ainda segundo os cálculos apresentados pelo MME, a adoção da mistura de 32% tem potencial para evitar a importação de 900 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo a dependência externa do combustível e ampliando a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

Permanente

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou ainda que o governo poderá transformar em definitiva a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. 

A nova regra entra em vigor em 1º de agosto e valerá por 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. Para que a mistura de 32% se torne permanente, será necessária a aprovação de uma nova resolução do CNPE.

Segundo Silveira, a adoção inicial por prazo determinado é uma medida de cautela, embora os testes técnicos já indiquem segurança para a mudança.

"A transitoriedade é por um excesso de zelo. Quando fizemos os testes, avaliamos até o E32. Estamos completamente seguros para avançar, e esse período serve apenas para acompanharmos o comportamento do etanol nos próximos 180 dias", afirmou o ministro durante coletiva de imprensa.

De acordo com integrantes do governo, do ponto de vista técnico, a elevação da mistura poderia ter sido implementada ainda no ano passado. A decisão, porém, foi adiada devido à preocupação com possíveis impactos sobre a inflação.

Esse cenário mudou diante da instabilidade provocada pelos conflitos no Oriente Médio. A guerra envolvendo o Irã aumentou a volatilidade dos preços internacionais do petróleo e reforçou a preocupação com a segurança do abastecimento global de combustíveis, o que fortaleceu a estratégia de ampliar o uso do etanol.

Segundo o MME, o Brasil já possui o maior percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina do mundo, atualmente de 30%, índice que passará para 32% com a nova medida. Em outros mercados relevantes, a mistura obrigatória costuma variar entre 10% e 15%, o que, na avaliação do governo, evidencia o papel estratégico do biocombustível para garantir o abastecimento

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