Uma caneta adaptada desenvolvida por estudantes da Universidade de Passo Fundo (UPF), na Região Sul do país, pode ampliar o acesso de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) a um recurso que favorece o processo de alfabetização e o desenvolvimento da escrita. Produzido por impressão 3D, o equipamento melhora o posicionamento dos dedos e proporciona maior estabilidade durante a escrita. Enquanto modelos semelhantes podem custar até R$ 150 no mercado, a versão criada pelos alunos tem custo entre R$ 10 e R$ 20 por unidade.

O projeto foi desenvolvido no primeiro semestre de 2026 por estudantes do Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial, dentro da disciplina de Extensão em Automação Industrial. A iniciativa surgiu a partir da experiência pessoal de um dos acadêmicos, pai de uma criança com TEA.

“A intenção da turma foi produzir algo que realmente tivesse um impacto positivo no aprendizado de quem está no espectro autista", afirma o professor Leandro Dóro Tagliari, responsável pela disciplina. A caneta adaptada auxilia crianças com dificuldades de coordenação motora fina, força e controle da mão, desafios comuns entre pessoas com TEA.

Os estudantes participaram de todas as etapas do desenvolvimento, desde a análise de modelos disponíveis no mercado até a definição dos requisitos, modelagem, detalhamento e impressão dos protótipos.

"Os acadêmicos avaliaram os perfis e materiais para a fabricação através do processo de manufatura aditiva, como PLA, PET G, Nylon e PU, além de trabalharem no design das canetas e no registro dos custos envolvidos no acompanhamento da fabricação, montagem e melhorias para o projeto", detalha Tagliari.

Os primeiros protótipos foram entregues à Secretaria de Educação de Veranópolis (RS), onde passaram por testes com crianças com TEA atendidas pela rede municipal. Segundo a coordenadora de Educação Especial e Inclusão, Máyra Nunes de Vargas Ferronato, o material representa um avanço no processo pedagógico de 38 estudantes, com idades entre 6 e 14 anos.

"Entre os benefícios, estão uma preensão mais segura, a redução no esforço motor, o aumento do tempo de foco e atenção, o fortalecimento da autonomia e da autoestima, além de uma experiência de aprendizagem mais acessível e inclusiva", afirma.

Produzidos por impressão 3D, os modelos mantêm baixo custo de fabricação e podem contribuir para ampliar o acesso a recursos de tecnologia assistiva no ambiente escolar.

A Tarde