Ter um currículo extenso e acumular anos de experiência nem sempre são garantias de contratação. Em alguns processos seletivos, profissionais considerados superqualificados podem enfrentar resistência das empresas, que temem dificuldades de adaptação, insatisfação com o salário ou uma saída em pouco tempo.

Em entrevista ao portal A TARDE, Marcia Conceição, que trabalha com estratégia comercial, desenvolvimento de equipes, relacionamento com clientes e gestão de resultados, explica que o problema não está necessariamente no excesso de experiência, mas na compatibilidade entre o perfil do candidato e as exigências da oportunidade.

“Uma pessoa pode ter muitos anos de carreira e, ainda assim, estar totalmente aberta a aprender, executar novas atividades e se adaptar a uma realidade diferente”, afirma. Para ela, o principal é entender como o profissional pretende utilizar sua bagagem na nova função.

Por que empresas podem rejeitar candidatos superqualificados?

Entre as razões que podem levar uma empresa a descartar um candidato experiente está o receio de que ele fique insatisfeito com as atividades, a remuneração ou as possibilidades de crescimento.

Também há preocupação com a adaptação à liderança e a aceitação de processos diferentes daqueles aos quais o profissional estava acostumado.

Segundo Marcia Conceição, algumas organizações também podem interpretar a experiência do candidato como uma possível ameaça à gestão. No entanto, ela avalia que esses receios não devem se transformar em conclusões antecipadas durante a seleção.

A recomendação é investigar as motivações do profissional e verificar se suas expectativas estão alinhadas às condições oferecidas pela empresa.

Quando a experiência se transforma em diferencial?

Apesar dos possíveis obstáculos, a experiência pode representar uma vantagem importante. Profissionais com uma trajetória consolidada tendem a ter mais autonomia, maturidade para tomar decisões e uma visão ampla dos desafios do negócio.

Em equipes comerciais, por exemplo, esse conhecimento pode contribuir para aprimorar processos, resolver situações complexas e ajudar no desenvolvimento de outros integrantes da equipe.

Para isso, porém, é necessário demonstrar flexibilidade e disposição para aprender. “Ter experiência não significa saber tudo, e reconhecer isso é uma demonstração de maturidade profissional”, destaca Marcia.

A especialista ressalta que cada empresa tem sua própria cultura, seus processos e desafios. Por isso, estar disposto a compreender essa realidade é fundamental para transformar a experiência acumulada em contribuição para a organização.

A Tarde