Uma faixa do litoral norte de Sergipe entrou no radar da mineração de minerais estratégicos. Em Brejo Grande e Pacatuba, o Projeto Saramém prevê investimento de R$ 60 milhões para pesquisar e explorar titânio, zircônio e elementos de terras raras.

A iniciativa é conduzida pela Backshore Resources e ainda passa pelo licenciamento ambiental. A estimativa divulgada para o empreendimento é de até 450 empregos, dos quais 120 seriam diretos e outros 330 indiretos, caso o projeto avance para a implantação.

Projeto de R$ 60 milhões

O Saramém está concentrado em uma região do litoral sergipano. Entre os minerais encontrados estão ilmenita, rutilo, zircão e monazita, materiais dos quais podem ser obtidos titânio, zircônio e outros minerais do grupo terras raras.

O que mais chama a atenção é a monazita, que pode concentrar elementos de terras raras, como cério (Ce), lantânio (La) e neodímio (Nd). Esses materiais são utilizados em componentes eletrônicos, telecomunicações, geradores e outras tecnologias de ponta.


Os depósitos interessam a diferentes cadeias industriais. O titânio pode ser aproveitado na produção de pigmentos e materiais industriais, enquanto o zircônio aparece em cerâmicas e produtos que precisam suportar temperaturas elevadas.

O depósito de Saramém/Brejo Grande aparece com recursos minerais estimados em 120,7 milhões de toneladas em levantamento citado pelo Serviço Geológico do Brasil.

Do litoral ao campo

A aposta sergipana na mineração não termina nas terras raras. O projeto da South Atlantic Potash pretende aproveitar depósitos de potássio em área marítima, criando outra possível frente para a cadeia de fertilizantes instalada no estado.

Sergipe já abriga o Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete, citado como a única unidade produtora de potássio em operação no Brasil. A nova iniciativa trabalha com a perspectiva de cerca de 2 milhões de toneladas por ano.

Mapa do subsolo

Para conhecer melhor o potencial mineral, Sergipe ampliou o mapeamento do próprio território. Em janeiro de 2026, a Desenvolve-SE firmou um protocolo com o Serviço Geológico do Brasil que prevê levantamento geoquímico em cerca de 21 mil km².

O planejamento inclui levantamentos aerogeofísicos e uma base de dados georreferenciada. Os estudos podem contribuir para identificar recursos associados a níquel, cobalto, cobre, lítio e terras raras e dar mais informações a empresas interessadas em novos projetos.

O estado também desenvolveu um Mapa Interativo de Mineração, no qual é possível cruzar processos minerários com dados de logística, hidrografia, geologia e áreas ambientalmente protegidas.

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